Novos Tempos, Novas Luzes

Há muito os corações dos homens perderam a esperança em tempos melhores. No entanto, a cada mudança de estação parece que um fiozinho de luz volta a acender por alguns minutos, mas novamente a luz empalidece, perde o brilho e, finalmente, se apaga, vencida pelos compromissos infindáveis que nos sufocam no dia-a-dia.

A fé parece ter perdido seu lugar de destaque nos corações amargurados que temem até mesmo a própria sombra, naquela tristeza que parece não ter fim. A caridade, de tão abusada, pelos espectros de seres humanos que usam da bondade alheia como meio de sobrevivência, deixou de ser praticada como uma sinfonia que sai direto do coração. O amor, ah esta palavra tão doce! Que de tão manipulada perdeu o seu tom róseo para ser sufocada nos perigosos tons avermelhados dos desejos, da posse e da satisfação transitória que ilumina os corpos humanos.

O que nos resta? Sem fé, caridade e amor o que somos? Por que habitamos a forma humana se não se manifesta em nós nenhum sentimento superior? Oh vida desalmada esta que vivemos!

A brutalidade assume as nossas vestes de maneira a bloquear toda expressão de sensibilidade e amor. A ignorância assume as nossas mentes impedindo que pensamentos harmoniosos possam se manifestar em cores de todos os matizes. A dor passa a ser a nossa companheira constante, de todos os momentos, nos obrigando a verter lágrimas de um sofrimento explícito.

E Deus, o Criador de Todas as Coisas, perdeu a sua conotação de Pastor de Almas, de Infinitamente Protetor, de Fonte Inesgotável de Amor e se tornou uma imagem nas mãos pervertidas de pastores, ou antes aproveitadores, de almas.

Neste caos que se instalou em todos os corações e criou um natural bloqueio às emanações superiores. Como as nuvens que bloqueiam as energias solares fazendo parecer que o sol encontra-se apagado, sem gerar a vida; assim imaginamos que as energias provenientes das instâncias superiores pararam, por alguns momentos, de emanar luz, eflúvios divinos que nos abençoam.

A nossa inconsciência bloqueia o pulsar de vida que a nossa alma busca com tanto vigor e buscamos fora, no incognoscível, no superior, no distante, tudo aquilo que temos às nossas mãos, ao nosso alcance.

Tudo parece tão irreal, as luzes e as trevas se confundem em uma pulsação- vibração extenuante, as luzes transmitem esperanças que as trevas transmutam em pesadelos ou insuportáveis sofrimentos.
Mas o tempo de colheita se aproxima. O tempo onde o normal será a expressão do amor, do respeito, da sintonia e do convívio harmonioso com os Planos Superiores. A luz brilhará em todos os corações como a expressão divina: “Eu Sou”. Tudo aquilo que se sustenta em aparências deixará de existir como realidade. A fome passará a ser somente de saber, pois os corpos estarão alimentados por energias cósmicas de intensidades desconhecidas.

Ser feliz não será um desejo que assolará a alma, mas a vontade proveniente do Espírito, fazendo vibrar as células mais tênues e descendo à matéria em uma espiral de luzes, cores e sons. A vida será vivida com a habilidade de corações rejuvenecidos, agregando às células a pulsação única do amor que transcende as aparências e as necessidades imediatas.

Novos tempos, novas luzes, novos templos, novas manifestações de vida baseadas na unificação de pensamentos, amparando as transformações que virão, fazendo do ato de viver uma coisa prazeirosa e, aí então, sentiremos a alma vibrar na sintonia da perfeição absoluta, sem medos, tristezas ou sentimentos de posse ou de egoísmo.

Somente assim o Cristo despertará, de seu sono sem sonhos, e nos pegará pelas mãos, compassivo, resoluto, decidido e nós trocaremos lembranças da época em que rastejávamos, mergulhados na lama, mas que sentíamos, em nossos íntimos, o bater de asas de nossa consciência crística, hoje unificadas.

O alvorecer de nossa maturidade como seres equilibrados se aproxima com a velocidade do vento, mas também com a força devastadora das paixões, removendo as frágeis estruturas de quem pensa estar à margem do progresso evolutivo da humanidade.

Muito ainda se terá que caminhar, mas já está na hora de acalmar nossos corações ansiosos e nos colocar receptivos aos novos tempos. Ao renascer de nossas almas carinhosas e de agradecer a Deus pelo prazer da caminhada, pelo som das estrelas que embalam os nossos sonhos, pelo sorriso das crianças aflitas.

E tudo se transformará, na sintonia da nova vida que pulsa e que pulsará, nos despertando para o amanhecer, onde todas as consciências estarão unificadas como numa Sinfonia Divina.

Publicado por: Gildásio Starling

Gildásio Starling
Administrador de Empresas com Pós-graduação em Administração Financeira e Investimentos, Pesquisador de Ciência Lilarial do Dakila Pesquisas.

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