FÍSICA QUÂNTICA PARA PENSAR – PARTE 2 “EU” E MEUS RELACIONAMENTOS COM MINHA MEMÓRIA CÓSMICA

O caminho para crescer, superando tal fixação, é possível através do mecanismo de memória quântica discutido no capítulo anterior, no qual o passado é retomado e reunido ao presente formando uma nova realidade, e é por intermédio desse mecanismo que o psicoterapeuta procuraria ajudar uma pessoa com tal fixação. Por possuirmos a faculdade de memória quântica, não precisamos ficar encalhados ou perdidos em nenhum estágio de nossa história. A salvação pessoal é sempre possível.

Os estágios de fusão e separação do processo de crescimento psíquico no ser humano são os mesmos para os sistemas quânticos elementares, quando estes se combinam e se recombinam em sistemas maiores; cada subsistema mantém alguma identidade por meio de seu aspecto partícula e funde-se a uma identidade nova maior por meio de seu aspecto onda. Tanto nós como as partículas elementares mudamos de identidade em conseqüência de nossos relacionamentos, mas nós, diferentes delas, continuamos modificados e acumulamos mudanças (acumulamos personalidade) porque possuímos memória. Portanto, somente nós (ou sistemas suficientemente complexos para terem memória) podemos ter uma fase de crescimento integrada.

Pelo processo de memória quântica cada um de nós traz dentro de si, urdido na trama da própria alma, todos os relacionamentos íntimos que já teve, assim como cada um de nós tece na urdidura do próprio ser todas as outras interações com o mundo exterior.

Pelo processo de memória quântica, em que os padrões de onda criados por experiências passadas fundem-se no sistema quântico do cérebro com os padrões de onda criados pela experiência presente, meu passado está sempre comigo. Ele não existe como “memória”, um fato fechado e acabado que posso relembrar, mas como uma presença viva que define em parte aquilo que sou agora.

Os padrões de onda do passado são colhidos e enredados ao agora, revividos novamente a cada vez como algo que foi, mas também como algo que é, agora. Por meio da memória quântica, o passado está vivo, aberto e em diálogo com o presente. Como em qualquer verdadeiro diálogo, isso significa que o passado não só influencia o presente como também que o presente se impõe sobre o passado, dando-lhe nova vida e significado, por vezes transformando-o completamente.

À medida que os meses da primeira infância de minha filha se passavam, percebi repetidas vezes que, sendo uma boa mãe para ela, eu estava sendo também uma boa mãe para mim mesma. Quando ela chorava à noite e eu ia a seu encontro, sentia meu próprio bebê interno chorando e também sendo confortado. Não houve mais noites solitárias para aquele bebê interior, mais nenhuma separação dolorosa. Sua infância infeliz foi colhida pelo presente, mesclada a todos os cuidados dispensados a minha filha, e ele tornou-se seguro. Reencarnado através da memória quântica, o bebê interior teve um novo começo de vida. Ele “renasceu”.

Muitos pais já experimentaram alguma forma de identificação com seus filhos pequenos e assim conseguiram alcançar partes atrofiadas de si mesmos. Este é um dos motivos pelos quais a experiência de ser pai ou mãe leva a um crescimento e a maior maturidade.

No cotidiano, enquanto ambos estamos vivos, a resposta é obviamente sim. Através da intimidade, o amante e seu amado (ou a mãe e seu filho, os membros de qualquer associação ou grupo íntimo) estão de tal forma interligados, suas funções de onda tão sobrepostas que nenhum dos dois saberá dizer “quem era aquele eu cujo meu era você”. Cada qual é, em alguma medida, o material do qual o outro é feito. Como cada um dos dois é parcialmente feito daqueles elementos de seu passado que estão entranhados em seu presente, cada um deles traz dentro de si tanto o próprio passado como o passado daquele com o qual tem intimidade.

Dentro de uma visão quântica do ser não pode haver nenhuma distinção muito rígida e definitiva entre meu próprio passado e o de alguém com quem desfruto intimidade. De fato, por meu intermédio, relacionando-se comigo, esse outro alguém poderá chegar a algum diálogo com seu próprio passado, diálogo que de outra forma talvez não ocorresse. Portanto, por meu intermédio, a cada momento sucessivo de minha vida, elementos do passado do outro são reencarnados, assim como meu próprio passado é reencarnado momento a momento — reencarnado em meu presente e presente no futuro como parte da tapeçaria de meu ser.

Cada um de meus relacionamentos íntimos, mesmo que muito breves, realmente “entra” em mim, realmente acrescenta ao menos um pequeno fio à tapeçaria do meu ser. Mas, assim como uma porção de pequenos fios não colabora muito para a feitura de um padrão completo numa tapeçaria, também um grande número de intimidades breves ou pequenas investidas em envolvimentos não ajudam muito na integração de meu ser ou de minha união com os outros.

(Extrato do Livro o Ser Quântico – Danah Zohar)

 

Acesse o link abaixo e leia o texto anterior:
Física Quântica para Pensar – Parte 1: “Eu” e Meus Relacionamentos com Minha Memória Cósmica

Publicado por: Gildásio Starling

Gildásio Starling
Administrador de Empresas com Pós-graduação em Administração Financeira e Investimentos, Pesquisador de Ciência Lilarial do Dakila Pesquisas.

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