FÍSICA QUÂNTICA PARA PENSAR – PARTE 1 “EU” E MEUS RELACIONAMENTOS COM MINHA MEMÓRIA CÓSMICA

Para discutir o ser quântico e seu relacionamento necessário com aquilo que chamarei de memória quântica, talvez seja útil relembrar o diagrama que mostra como o ser emerge de toda a variedade de informações que alimentam o estado básico de consciência. A parte do diagrama chamada “o estado de consciência atual” representa o ser em qualquer momento. Segundo os psicólogos, o “agora” é um período que dura até doze segundos, representando a amplitude e experiência que nossa consciência pode digerir como um todo unificado.

Para um ser quântico, o “agora” é um composto de subseres já existentes (mas em constante flutuação) — nossos seres que éramos antes do “agora” — e vários dados vindos do mundo exterior (experiências novas), cada qual formando seu próprio padrão de onda no estado fundamental da consciência. Em cada momento, a identidade pessoal é formada pelas funções de onda sobrepostas de todas essas coisas que provocam o surgimento de ondas e padrões no condensado — nossas emoções, pensamentos, memórias, sensações, etc.

À medida que o “agora” se esvai para o passado, o ser que eu fui é então registrado no sistema de memória convencional do cérebro como “uma memória do passado”. Ele se torna um novo conjunto de ligações nervosas que, por sua vez, podem realimentar o condensado com padrões de energia. Esse é o sentido de memória já conhecido. Mas, numa visão quântica, o ser que eu fui um momento atrás também está entrelaçado ao próximo “agora”, ao meu futuro ser, pela sobreposição de sua própria função de onda com todas as novas funções de onda recém surgidas em consequência de novas experiências. Na física quântica, os sistemas de partículas pode se sobrepor tanto no espaço como no tempo.

Assim, cada ser que eu fui, momento a momento, é carregado pelo próximo momento unindo-se a tudo o que está por vir – unindo-se tanto às velhas memórias, no sentido convencional de memória, na medida em que estas realimentam o condensado, quanto às experiências novas. A dinâmica desse diálogo progressivo entre passado e presente assemelha-se muito àquela que faz com que as funções de onda de duas partículas elementares se sobreponham para formar um novo sistema quântico, só que nesse caso o que está sendo formado é um novo ser quântico.

Essa tecelagem do ser momento a momento, à medida que as funções de onda de seres passados se mesclam com as funções de onda do ser presente, é o que chamo de memória quântica. Ela é um elo necessário, definitivo, entre nossos seres presentes, passados e futuros, e nos proporciona o mecanismo através do qual desfrutamos uma identidade pessoal que perdura ao longo do tempo. Eu sou, em parte, a pessoa que era ontem, pois aquela pessoa está agora entrelaçada ao tecido de meu ser. Em termos mecânico-quânticos, o passado entrou num “relacionamento de fase”com o presente – porque ambos, passado e presente, produzem funções de onda sobre o estado básico da consciência (fig. 8.4).

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A memória quântica é mais do que a memória dos fatos ou imagens ou experiências. Poderíamos esquecer tudo isso, esquecer toda nossa história – como alguns desafortunados esquecem – e nossa memória quântica, nosso diálogo vivido com o passado, nossa identidade pessoal, ainda se manteria intacta, disponível aos outros, se não nós mesmos. Se a memória convencional fosse destruída de modo a perderemos nossa capacidade de registrar novas experiências, o processo de memória quântica seria interrompido. Ele funciona através de memórias convencionais (nossos seres passados) reintroduzidas no sistema quântico do cérebro (fig. 8.5); sem sua contribuição, o diálogo entre passado e presente não pode continuar crescendo. Mas, nesse caso, o ser não
estaria completamente perdido — seu crescimento ficaria estancado e ele ficaria atolado no tempo, mas ainda restaria algo dele.

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Em termos quânticos, a função de onda de um momento passado revivido se funde com a função de onda de agora, e as duas unem-se formando um novo caminho para o futuro. A pessoa ganha perspectiva e torna-se mais coerente. É assim que, através da memória quântica, pegamos o passado e o fazemos nosso no presente. Reencarnamos o passado (todos os nossos seres passados), dando-lhes nova vida em forma nova. Tal é a base física da salvação e da criatividade.

Ela também fornece nova compreensão da eficácia física dos rituais (refeições tradicionais como o peru de Natal ou o carneiro na Páscoa, rituais religiosos como a comunhão ou a retirada do Tora de dentro da Arca, os aniversários e rituais de memória etc.). Ao cumprir os rituais, trazemos para o presente o passado organizado e todas as nossas experiências passadas de cumprimento daqueles rituais, integrando-os à nossa experiência atual. Pela observância do ritual recriamos e revivemos o passado.

Revivendo momentos passados, o ser quântico é criativo em duas frentes — por um lado ele reencarna o passado, dando-lhe uma vida e um significado renovados, por outro ele se recria a cada momento.

O ser quântico é simplesmente um ser mais fluido, que se modifica e evolui a cada momento, ora separando-se em muitos sub-seres, ora reunindo-se num ser maior. Ele flui e reflui, mas em algum sentido mantém-se sempre ele mesmo. Sou a pessoa que foi um bebê nos braços de minha mãe, uma adolescente, uma moça etc., mas cada um desses aspectos passados de meu ser também era eu, tal como sou agora.

Meu passado revivido não pode ser separado de meu presente, assim como meu presente não pode ser separado de meu passado. Como diz Eliot, “tempo passado e tempo futuro estão ambos presentes no tempo agora.

(Extrato do Livro o Ser Quântico – Danah Zohar)

 

Acesse o link abaixo e leia a continuação
Física Quântica para Pensar – Parte 2: “Eu” e Meus Relacionamentos com Minha Memória Cósmica

Publicado por: Gildásio Starling

Gildásio Starling
Administrador de Empresas com Pós-graduação em Administração Financeira e Investimentos, Pesquisador de Ciência Lilarial do Dakila Pesquisas.

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