Física Quântica para Pensar – “Eu” e Meus Relacionamentos com Minha Companheira

Com seu aspecto onda ganham a capacidade de se relacionar com outros “indivíduos” pela sobreposição parcial de suas funções de onda. Através de seus relacionamentos, de sua sobreposição de funções de onda, algumas de suas qualidades se fundem de tal modo que formam uma nova totalidade. As prioridades do novo “indivíduo” são influenciadas pelas dos “subindivíduos” de cujo relacionamento ele consiste. No entanto, sob todos os aspectos, ele agora se comporta como uma nova entidade, com plenos direitos, com aspecto ondulatório próprio e capacidade própria de relacionamentos futuros em seus próprios termos. Esta é a noção de “holismo relacional” apresentada na discussão anterior a respeito de como nossa mente e nosso corpo se relacionam. Uma totalidade criada através de um relacionamento quântico é uma coisa nova em si, maior que a soma de suas partes.

Há momentos em que o fardo do ser, suas percepções, responsabilidades, isolamento são quase mais do que podemos suportar, e em outros momentos lutamos com todas as forças para preservá-lo, para manter nosso sentido de individualidade e propriedade. No poema de Graves, os amantes “perdem-se” de bom grado um no outro, voluntariamente abrindo mão das próprias fronteiras, que de outra forma guardariam e definiriam seus seres distintos. Nenhum dos dois sabe onde termina um e onde começa o outro, “quem era aquele eu cujo meu era você”. Todos valorizamos muito tais momentos de intimidade, na verdade muitas vezes arriscamos tudo para vivê-lo e, no entanto, também nos esforçamos para ter liberdade.

A maioria de nós já passou por uma experiência em que a intimidade entre nós e um outro foi tão completa a ponto de aparentemente apagar qualquer distinção entre os dois. Esta é uma experiência comum entre mães e seus bebês, ao menos no sentido de que a mãe sente o bebê como uma extensão de si mesma, vivenciando ambos como existentes numa esfera de intimidade cujas fronteiras definem sua identidade comum. Os psicólogos nos dizem que o bebê sente a mesma coisa.

Em todos esses casos, o relacionamento íntimo parece produzir duas pessoas que se sobrepõem a tal ponto que cada qual abarca o conteúdo interno da outra. Elas partilham uma identidade. O mecanismo através do qual isto ocorre também parece relacionar-se muito intimamente ao sentido um pouco menos extremado da empatia normal que sentimos por todas as pessoas. Na empatia, sabemos que não somos a outra pessoa, mas também sabemos qual seria a sensação de ser aquela pessoa, de estar em seu lugar, tendo seus sentimentos. A empatia é uma forma de intimidade que podemos experimentar em relação a pessoas totalmente desconhecidas, assim como com aquelas que estão muito próximas. E há outros.

Na intimidade, parece que “eu” e “você” nos influenciamos mutuamente, parece que “entramos” um no outro e modificamos um ao outro no interior, de tal forma que “eu” e “você” nos tornamos “nós”. Esse “nós” que experimentamos não é apenas “eu e você”, é uma coisa nova em si, uma nova unidade. Esse “nós” altera tanto o “eu” quanto o “você” que o compõem, assumindo uma identidade própria com capacidade própria para relacionamentos posteriores.

Essa nova estrutura conceitual para as relações interpessoais pode ser encontrada nas tensões da dualidade onda—partícula e na capacidade da partícula elementar ser onda e partícula simultaneamente.

O relacionamento íntimo em si é explicado em termos quânticos pela sobreposição da função de onda de uma pessoa à de outra. No entanto, a qualidade e a dinâmica desse relacionamento dependem das muitas variáveis que podem afetar um sistema ondulatório. Duas pessoas que estão no mesmo estado, por exemplo, terão um relacionamento íntimo muito mais harmonioso que duas pessoas em estados diferentes (MESMO NIVEL CONSCIENCIAL), quando as ondas de suas personalidades estiverem sobrepostas, uma em cima da outra, ou uma enredada na outra mais ou menos harmoniosamente. Uma analogia com as harmonias musicais (que são em si ondas sonoras) evidencia este aspecto.

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(Extrato do Livro o Ser Quântico – Danah Zohar)

Publicado por: Gildásio Starling

Gildásio Starling
Administrador de Empresas com Pós-graduação em Administração Financeira e Investimentos, Pesquisador de Ciência Lilarial do Dakila Pesquisas.

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